quarta-feira, 7 de junho de 2017

Escolha de carreira


A dúvida sobre qual carreira escolher é um dilema constante para os jovens. Idealizam profissões maravilhosas, ganhando muito dinheiro, fazendo apenas o que gostam. E ... claro... muitas vezes se decepcionam quando percebem que o dia a dia é diferente do que projetaram. Esse cenário é comum tanto na juventude atual quanto na de décadas atrás.

O que vem me chamando a atenção mais do que a utopia dos jovens é o quanto os pais estão tão ou mais perdidos que os jovens nesse momento. Ainda presos a carreiras tradicionais, ao mesmo tempo que eles temem pelo insucesso dos filhos, também se recusam a olhar as mudanças que ocorreram e vem ocorrendo no mundo do trabalho. Mudanças na maneira em que se dão as relações profissionais hoje e suas tendências futuras.

Nos idos anos 1970, a gama de profissões disponíveis no mercado era de pouco mais de 30 possibilidades. Algumas com divisões em especialidades como medicina e engenharia, mas o grupo geral não passava de três dezenas. Hoje, pelos dados da Secretaria de Educação Superior do MEC encontramos mais de 200 áreas de atuação e somente no estado de São Paulo mais de 2.700 tipos de cursos superiores. E mudar de profissão no meio da carreira é mais comum do que se imagina.
Por outro lado, ainda vemos famílias tentando convencer os filhos a seguir direito, engenharia ou administração como se fossem carreiras seguras e destinadas ao sucesso, desviando assim a discussão do ponto principal da formação profissional de um jovem.

E qual seria esse ponto? 

A capacidade de ser protagonista e gestor da sua carreira. Entrar em uma empresa como auxiliar e deixar na mão da empresa a gestão do seu crescimento até se tornar diretor é algo que não existe mais. O profissional pode sim ficar muitos anos em uma grande empresa entrar em um cargo simples e sair na liderança. A grande diferença é como isso se dará. O que o mercado não aceita mais é a terceirização do crescimento, colocar essa responsabilidade nas “oportunidades” que a empresa pode oferecer.

Certamente algumas áreas têm média mais alta de salários e mais cargos em grandes corporações, mas isso não é garantia de nada. O que vai definir o sucesso e o crescimento na carreira desse jovem é o quanto ele vai gerir esse seu projeto profissional.

Um gestor de eventos, um artista circense, um arquiteto de videogames ou um paisagista podem alcançar vôos muito mais altos do que um advogado, um médico ou um administrador de empresas.  Aumentar ou diminuir a probabilidade de sucesso vai depender de fatores que começam antes da escolha da carreira e se desenvolvem ao longo dela. São itens como:

1. Educação Financeira: como esse assunto é tratado em casa? Seu filho administra seu dinheiro desde pequeno? Ele aprendeu a poupar e a diferenciar o consumo por impulso de investimento em geração de valor? Ele aprendeu a guardar dinheiro para comprar aquele brinquedo – ou ao menos contribuir com parte dessa compra – em ocasiões fora das festas?

2. Autonomia e protagonismo: o quanto ele foi ensinado a resolver seus próprios problemas e enfrentar situações adversas?

3. Iniciativa e proatividade: o quanto esse jovem sabe resolver um problema? O quanto ele cuidou sozinho dos processos de inscrição no Enem, da compra de material escolar e outros temas que são de seu interesse ou ele ainda terceiriza tudo? Enquanto esse jovem não cuidar minimamente dos seus próprios interesses, ele também vai terceirizar a gestão da própria carreira.

4. Planejamento – o quanto esse tema é discutido a aplicado em família? Quanto esse jovem sabe enxergar um projeto daqui a três, quatro ou cinco anos? Ele participa do planejamento das férias ou da casa nova da família? Importante ressaltar que participar do planejamento e execução não são sinônimos de fazer exigências ou apena opinar.

5. Curiosidade – diferentemente de bisbilhotice qual o nível de curiosidade desse jovem? O quanto ele desde pequeno é instigado a ir atrás de informações?

Mais do que escolher esta ou aquela faculdade o que faz diferença na carreira de qualquer jovem é o quanto ele vai entender o que o século 21 pede em relação aos seus comportamentos. E para poder ajudar os jovens nesse desafio, as famílias também precisam aceitar que o mundo do trabalho mudou. Tanto para o jovem quanto para o profissional mais experiente. Vamos experimentar?

domingo, 4 de junho de 2017

Dá tempo de ser mãe e trabalhar?

O Dia das Mães já passou mas gostaria de tratar um pouco desse tema principalmente do dilema de dar conta da jornalda dupla. É indiscutível que a tarefa de conciliar duas jornadas não é fácil. Paralelamente às questões práticas de cumprir horários conflitantes como levar a turma na escola e não chegar atrasada no trabalho, ter de dizer não para um pedido de hora extra da empresa, em função de não ter com quem deixar os filhos no período noturno, entre outros dilemas que aparecem diariamente.

O que fazer então? O que priorizar? Primeiramente também colocar você nessa lista de prioridades. E o primeiro ponto a se trabalhar é a gestão das suas emoções nesse sentido. É cada dia mais comum encontrar mulheres
– e também homens – sentindo-se extremamente pressionados no dilema entre dar atenção ou dar conforto para os filhos. E com toda essa pressão a nossa capacidade de análise e raciocínio se perde. Mas como não tratar de emoção quando se fala de filhos?

E o convite que eu faço agora é justamente usar os dois lados do cérebro de maneira equilibrada para ajudar a resolver essa questão. A primeira dica que eu daria às mães – independentemente da idade – é olhar um pouco mais para a tecnologia. O quanto ela pode nos ajudar a resolver as demandas do dia a dia e nem sempre fazemos uso dela porque temos medo do novo?

Aplicativos e responsabilidades 


Há aplicativos para facilitar a nossa vida em absolutamente tudo nos dias de hoje, mas quantas vezes temos receio, acreditamos que são bem mais complicados de usar do que realmente são? E muitos deles podem ser compartilhados com outras pessoas que ajudam no cuidado e educação da criança. Até mesmo a simples agenda do Google permite perfis específicos como separar em diferentes cores os compromissos da criança e do trabalho da mãe e compartilhar a agenda do filhote com outros parentes, facilitando a vida na hora de pedir ajuda.

Ainda sobre tecnologia, com a possibilidade de se colocar tudo na nuvem será que efetivamente essa hora extra precisa ser feita no escritório? Que tal tentar negociar com o patrão para essa hora extra ser feita on line em casa? Ele pode não querer? Proponha tentar pelo menos uma vez e mostre o resultado. Mostre o quanto você conseguiu produzir em casa, sem a preocupação de não saber se eles estavam bem sozinhos ou com alguém pouco conhecido porque um determinado dia você teve de trabalhar até mais tarde. Mostrar que em casa você produziu mais do que se tivesse ficado à noite no escritório pode trazer um novo olhar sobre você na sua organização.

Delegue mais para os seus próprios filhos. Há alguns meses deparei com uma mãe pedindo desesperadamente carona para o filho para São Paulo no dia seguinte. O compromisso era um evento cultural no período da tarde. A mãe estava realmente aflita. A conversa se desenrolou até que eu soube que o rapaz tinha 19 anos. Ônibus nele!

Há algum tempo vi um quadro – que reproduzo na ilustração deste artigo – em um site para mães chamado diiirce.com.br que mostra o quanto as crianças podem ter muito mais responsabilidades do que damos a elas, sem perder seu lado criança ou deixar de brincar. Caso tenham dificuldade em ver detalhes do quadro nesta ilustração, deixo no final deste texto o link para a imagem original.

Sim, se a delegação de tarefas para as crianças começar bem cedo, elas podem ser grandes aliadas de suas mães nessa difícil gestão de jornada dupla. E o melhor de tudo: sem deixar de ser crianças, podem crescer com muito mais perspectiva de futuro e responsabilidade, além de diminuir um pouco a carga nos ombros da mamãe.

Quadro sobre responsabilidade infantil: https://goo.gl/BIH2