domingo, 3 de janeiro de 2016

O trabalho em 2016

Se eu precisasse resumir em três palavras o que o ano de 2016 vai ensinar ao universo profissional escolheria: protagonismo, autogerenciamento e empatia. Ainda bem que tenho espaço para trabalhar mais a fundo esses conceitos para evitar interpretações imediatistas do estilo eu tenho tudo isso e nada acontece. O mundo do trabalho está mudando há algum tempo. As dificuldades econômicas e a escassez de alguns recursos estão acelerando essas mudanças, o que pode ser temeroso para alguns e desafiador para outros.

Quando falo em protagonismo, cito a necessidade de assumir as rédeas de verdade. Muita gente vai perder o emprego em 2016 e não somente por causa do momento econômico, mas também porque as relações de trabalho estão mudando. Começaram antes em países como Estados Unidos e alguns outros da Europa e da Ásia e vem se consolidado no Brasil a duras penas. Por que a duras penas? A corrupção e o péssimo sistema de gestão dos governos (federal, estaduais e municipais independentemente do partido) atrapalham, mas a nossa cultura profissional pode ser o maior obstáculo. Não estou falando das leis trabalhistas, mas da cultura do trabalho.

Aprendemos desde criança a trabalhar muito e a terceirizar a gestão da nossa carreira para a empresa em que estamos. Ah, mas na minha casa era diferente.  Que bom pois estou falando da maioria e não de uma pessoa específica. Talvez tenha aprendido em casa a veia empreendedora, mas, se já tirou conclusões antes de terminar de ler o texto talvez tenha lhe faltado o aprendizado da empatia.


Protagonismo não é fazer o que se quer


Ao tratar de protagonismo falo em iniciativa, em tomar as rédeas e deixar a preguiça de lado. As empresas não dão oportunidades. Os profissionais as conquistam quando vale a pena. Ah eu não consigo mostrar minha liderança porque a empresa não me dá uma promoção. Empresas – pelo menos as boas – correm riscos calculados. Se você não se mostrou características de liderança adequadas para aquele ambiente (características que a empresa pode e deve ajudá-lo a aprimorar com treinamentos e outros recursos), se você não bater na porta, ela não vai se abrir. E bater na porta não quer dizer pedir promoção, mas mostrar que você merece que a empresa invista em você. Tomar para si a iniciativa e a gestão de algum trabalho simples – pode ser até o famoso 5S do fim do ano – já pode revelar muito sobre você e chamar a atenção para suas características. Ah, já fiz isso várias vezes e nada aconteceu. Pergunta: fez sempre da mesma maneira – a que não surtiu o resultado esperado -  ou cada vez experimentou uma proposta nova para ver qual seria mais eficaz naquele ambiente de acordo com o seu propósito? Fez de diversas maneiras e não aconteceu? Quando então vai começar a buscar uma nova empresa?

Autogerenciamento eu poderia traduzir também como coragem. Coragem de focar em resolver e não em reclamar. Coragem em olhar qual sua parcela de responsabilidade diante da situação em que se encontra hoje. Sim, novamente ressalto que a crise atrapalha, que a situação do mercado e a corrupção atrapalham, mas são fatores que necessitam do coletivo e de longo prazo para mudar. E o que você pode fazer diante disso? Olhar criticamente para a sua postura, para as suas atitudes e para a sua preguiça seja ela ativa ou inativa. Como assim? Preguiça inativa é aquela característica de quem não se mexe para nada. Preguiça ativa está ligada à falta de pensar, a situações em que o indivíduo está sempre tomando atitudes, todas elas automáticas sem parar para pensar na eficácia de cada uma delas. É o agir sem pensar. Pensando no exemplo do parágrafo acima seria acreditar que trabalhar muito é a característica necessária para uma promoção, sendo que o que a empresa mede é o resultado que você traz e não a quantidade de horas que você trabalha.


Empatia é mais do que se colocar no lugar do outro


E finalmente empatia, que erroneamente acredita-se que seja se colocar no lugar do outro. Empatia é se colocar no lugar do outro pensado e sentindo como o outro. É entrar na mente do outro ou analisar o ambiente a partir da observação sem filtros. E isso se faz abrindo mão de suas crenças e comportamentos e entrando na mente do outro quase como nos filmes policiais. Pouco adianta utilizar ferramentas como mapa da empatia ou semelhantes se você não conseguir sair dos seus preconceitos, crenças, julgamentos, enfim do seu “achismo” e mergulhar no ambiente que o cerca de maneira limpa de opiniões e suposições e aberto a mergulhar profundamente na captação de informações e na sua posterior análise.


Em resumo é isso que o ano de 2016 pode ensinar a todos nós: a parar de deixar para os outros as definições e decisões sobre a nossa vida profissional, a fazer o que deve ser feito para alcançarmos o resultado que queremos e a aprender a pensar em vez de apenas opinar. Bem-vindo ao futuro do trabalho.