quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Conexão Profissional


É comportamento comum ao crescermos em uma empresa olharmos para os degraus mais altos da escada. Buscamos relacionamentos e conexões com as altas esferas. Queremos nos "enturmar" com quem está no "topo. Há algo errado nessa visão? Não, a proposta é sonhar cada vez mais alto. 

Desde que as conexões com as bases não sejam perdidas, pois são justamente elas que nos dão sustentação para essa escalada. Afinal, sem alicerce, sem fundação, a casa não se sustenta.

E é justamente nesse relacionamento com as bases que muitos diretores e gerentes se perdem. Mesmo que tenham começado de baixo, no cargo mais simples da empresa. Com o passar do tempo aquele atendente nível 1 passou para nível 2, 3 depois se tornou auxiliar 1,2,3, analista 1,2,3, encarregado, coordenador, supervisor, gerente etc. Anos e anos se passaram durante essa trajetória e hoje ele comanda todos aqueles que estão nos cargos os quais um dia esse executivo já ocupou.

Só que, com o avanço do tempo, tendo o olhar somente para os novos relacionamentos, para as esferas mais altas, esse gerente ou diretor foi perdendo a conexão com o cotidiano daquelas atividades e com aqueles cargos que pelos quais já passou. Por mais que diga que sim, ele não lembra mais como é. E com isso, se torna difícil ter empatia e conseguir gerir a equipe conhecendo realmente a necessidade e a realidade de seus subordinados. Quando falo aqui em empatia vou ao real sentido da palavra – se colocar no lugar do outro pensando e sentindo como o outro. Não tem nada a ver com simpatia ou receptividade como alguns podem confundir.

Gerenciamento às cegas


A ascensão muitas vezes nos faz perder a conexão com a base e dificulta a nossa liderança. Essa perda facilita a geração de conflitos e a implementação de medidas pouco eficazes no cotidiano da equipe. Comentários como: "ele fala isso porque não está lá como nós" se tornam comuns e o pior. com fundamentados. Algumas empresas já estão atentas aos prejuízos dessa perda de conexão e buscam unir novamente as pontas da cadeia.

Na Mary Kay por exemplo, empresa norte-americana de cosméticos, mesmo as mais altas diretoras de vendas têm de manter sua cartela de clientes pessoais com as quais elas precisam exercer os mesmos procedimentos das consultoras em início de carreira. No McDonald´s há programas em que os executivos vão para a linha de frente nos restaurantes. Na rede Gazin, grupo nacional atacadista e varejista de Eletrodomésticos o dono costuma oferecer almoços e jantares na sua própria casa – onde ele mesmo cozinha – para pequenos grupos de funcionários dos mais baixos escalões da empresa com o intuito de ouvi-los e entende-los em um ambiente informal. 

 Há alguns anos,  trabalhei em uma agência de Relações Públicas na qual passamos por uma experiência bastante interessante. Éramos, com os donos, 40 pessoas. Todos os dias, na hora do almoço – inclusive os dois donos – um de nós, em esquema de rodízio substituía a recepcionista que também exercia a função de secretária. O mesmo esquema nas férias dela.

Há casos e cada vez mais casos de empresas que estão restabelecendo essa conexão, colocando os executivos para, de alguma maneira lembrarem, "sentirem na pele" a realidade de seus comandados. Os resultados vêm sendo positivos tanto na redução de conflitos quanto nas tomadas mais acertadas de decisões, pois nada como estar ali no dia a dia, sentir a realidade do outro para poder encontrar a melhor solução. 

Fica a sugestão para quem hoje está na liderança de uma empresa: passe um dia, no lugar do seu subordinado, de preferência daquele que está mais distante de você na escala hierárquica. Faça esse rodízio também entre aqueles que você percebe que estão ou podem entrar em conflito. Estabeleça ou reestabeleça conexões.