segunda-feira, 23 de junho de 2014

Você é um empreendedor caprichoso?


Tenho uma amiga que faz parte de um projeto voluntário que confecciona touquinhas de tricô para crianças em tratamento de câncer. Fazer touquinhas de um único modelo, com produção em série, seria uma medida eficaz para aquecer as cabecinhas nuas pela quimioterapia e minimizar o constrangimento pela queda dos cabelos. Mas isso não é suficiente para a minha amiga e seu grupo de voluntárias. Elas dedicam tempo e atenção para criar e decorar cada touquinha para que se tornem únicas, assim como são as crianças atendidas.
São aplicações em renda, fitas, flores ou bichinhos em feltro e o que mais a imaginação daquela turma puder trazer. A criatividade rola solta e o carinho também. O nome desse "a mais" em cada touquinha é capricho. Tal capricho (veja as fotos) chamou tanto a atenção que elas contam até com algumas contribuições financeiras eventuais.
A experiência dessas mulheres de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, desperta para uma pergunta que todo empreendedor deve se fazer: o quanto você é caprichoso no seu negócio? Se esmera de verdade ao atender cada cliente ou olha principalmente para os mais exigentes, que perguntam mais, como potenciais "malas" em vez de pessoas por meio das quais você pode se aprimorar? Ou será que você fica na defensiva a cada comentário negativo? Quanto você está preocupado em entregar seu produto ou serviço com algo a mais, um detalhe especial que o fará ser lembrado por muito mais tempo? Ou a sua ideia é "se livrar" logo do pedido para ir atrás de outro?
Capricho não é custo
    
Esse "capricho" não quer dizer aumento de custo. É produzir diferencial. E se você tiver um bom gerenciamento de tempo e de produtividade, dá para encaixar no dia a dia sem mudar a rotina em quase nada. Os adornos que colocam nas touquinhas, elas encontram em suas próprias casas ou com amigos. Um retalho de tecido aqui, uma miçanga que caiu de um brinco ali.
Tudo é questão de percepção, de olhar. Olhar com foco no outro, na necessidade do cliente. Isso , ao decorar as touquinhas, as voluntárias sabem que não podem atrasar a entrega. Diferentemente de alguns "artistas" que ao prestar seu serviço ou fabricar seu produto, tem tanto foco em si mesmo, no próprio ego, que perdem prazos ou entregam o que querem em vez de o que o cliente precisa e no prazo que ele precisa.
O exemplo das voluntárias de Ubatuba é uma ilustração muito simples do que pode ou não ser um diferencial em uma empresa. Sensibilidade e criatividade no lugar de luxo e custo. Quem ficou curioso sobre o projeto das touquinhas segue o endereço do blog: http://www.sapouba.blogspot.com.br/