segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sua carreira em 2014

Faltam quase dois meses, mas se a sua ideia é dar uma guinada na carreira em 2014, já está começando atrasado. Isso porque, mais do que uma promessa de ano novo, uma mudança na carreira é algo que necessita de planejamento e de muita, muita reflexão. Para tanto, você vai precisar de uma planilha e de cabeça-fria. Usar seu raciocínio lógico, baseado em fatos e dados em vez de se basear nas emoções. 
Primeiramente, as perguntas-chave: qual é o seu verdadeiro desejo? Ganhar mais? Ser promovido? Trabalhar mais perto de casa? Ter sua própria empresa? 

Escolhido o desejo, vem a segunda questão: O que você acredita que vai ganhar com a mudança? (coloque em uma planilha). Em seguida: esses ganhos podem vir de outras maneiras? Quais? 

Agora pare um momento, respire fundo, e vá para a etapa mais difícil do planejamento que é fazer a seguinte lista: quais sacrifícios você está disposto a fazer e do que você terá de abrir mão para conseguir o que deseja? Metade desiste aqui. Se não é o seu caso, vamos em frente.

Quem ganha e quem perde com a sua decisão? O quanto ela está baseada em fatos e não apenas em sonhos? No caso de uma posição em outra empresa, você conhece quais os problemas e limitações de onde deseja trabalhar? Já os comparou com os da sua empresa atual? As vantagens se sobrepõem a esses problemas? Se a ideia é ganhar mais, já sabe com quais responsabilidades adicionais terá de arcar? E a jornada de trabalho vai aumentar? 

Ainda para os que querem continuar como empregados: vai procurar trabalho onde? Quais são os sites mais adequados? Vai contratar um headhunter, um gestor de outplacement ou um coach para lhe ajudar? Em quanto tempo pretende efetivar a mudança? Quantas horas por dia vai se dedicar a essa busca? 

Ah! E tem o sonho da empresa própria! Gosta de cozinhar, então quer abrir um restaurante? Gosta de animais, por isso quer um pet shop? E o quanto você gosta e entende de gestão? De pessoas, de caixa, de marketing e vendas, de mapeamento de concorrência, de planejamento estratégico etc.?

Ainda sobre o negócio próprio, tem capital suficiente para montar? (burocracia, aluguel, reformas, estoque, pagar salários de mercado ...) E a reserva prudente para manter a empresa entre um e dois anos praticamente sem lucro? Você sabia que esse é o tempo médio até uma empresa se estabilizar? 

São tantas as questões....que a mudança já está ficando chata, podem pensar alguns. Aí está a diferença entre planejar e apenas sonhar.

Pobres engenheiros



 Creio que, atualmente, 80% dos meus clientes individuais são engenheiros. Mais do que coincidência, a busca por técnicas de relacionamento e desenvolvimento pessoal e profissional por parte dessa categoria, está ligada aos novos tempos. 
Até cerca de uma década, a formação técnica era suficiente para o comando de uma unidade industrial, de uma linha de produção e até de uma central de serviços. Hoje esse conhecimento continua valioso, mas equipara-se a outra demanda de mercado: a habilidade para lidar com pessoas, dentro e fora da empresa. Algumas organizações chegam a colocar a capacidade de lidar com pessoas como 60% do peso do perfil profissional, deixando os outros 40% para o background técnico. 

A mudança começou em meados dos anos 1990 quando o mundo corporativo entrou na chamada “Era da Informação”. Foi quando o consumidor ganhou mais voz, principalmente pelas facilidades de acesso aos meios de comunicação, propiciadas pela internet. Até então, quando se comprava um produto com defeito, o máximo que se conseguia era reclamar com o vendedor ou se estabelecia um contato distante com a fábrica. Hoje, qualquer problema seja no produto, seja no atendimento, chega aos ouvidos e olhos de milhares de pessoas em alguns segundos.

Com isso o consumidor ganhou poder, sentiu que pode falar, pois é ouvido. Essa voz passou a ecoar em locais cada vez mais distantes. As comunidades começaram a sentir que poderiam questionar a fábrica construída de repente ao lado de um bairro residencial. Podiam contestar o barulho, a poluição, o trânsito. E, da comunidade, fazem parte os trabalhadores das empresas, os quais também perceberam seu poder dentro das corporações. O empregado passou a opinar, querendo ser ouvido.

Novo líder

Nesse novo cenário, o conceito de comandar uma organização também mudou. Organizar a linha de produção e certificar-se de que todos os processos seriam cumpridos no prazo deixou de ser suficiente. Os gestores passaram a ter de administrar relacionamentos dentro e fora da empresa, a compreender e aproveitar o melhor da diversidade, dar informações e se relacionar com o entorno na melhor política de “boa vizinhança”.

A demanda surgiu e foi diretamente repassada para quem pouco fora preparado para lidar com isso, já que em pesquisa recente da revista Época Negócios, constatou-se que 53% dos líderes de grandes empresas no Brasil são engenheiros.

A lacuna na formação profissional trouxe problemas. Afinal eles foram preparados para lidar com cálculos e dados e não com a oscilação e a diversidade da mente e das emoções humanas. Tentando correr atrás do prejuízo, muitos engenheiros buscam formação complementar em ciências humanas, treinamentos de curta duração ou a ajuda de profissionais de Coaching.

A boa notícia é que quando bem trabalhados por seus coaches, esses “mestres das ciências exatas” vêm demonstrando habilidades extras. No começo, muitos têm dificuldade em entender seu novo papel, por isso a ajuda profissional é imprescindível. Mas, com o tempo, conseguem buscar internamente recursos que não sabiam que tinham, desabrochando emoções e afetuosidade, descobrindo, inclusive, aspectos de sua própria identidade que até então estavam escondidos atrás do raciocínio lógico.
A realidade do novo líder não é fácil, mas aqueles que estão dispostos a se descobrir e se entregar a ela sem resistência e abertos ao aprendizado vêm se mostrando satisfeitos. Inclusive com melhorias em sua vida pessoal. O engenheiro dos anos 1970, 1980 aos poucos vai morrendo, dando lugar a um profissional mais completo e mais conhecedor de si. E porque não dizer, mais feliz.