quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Estupidez coletiva ou genialidade em rede: os dois caminhos da inteligência pessoal inserida em um projeto


"A inteligência pessoal pode perfeitamente se transformar em estupidez coletiva. Ingenuamente, a pessoa pensa que quando cada elemento do sistema faz o melhor possível, o sistema funciona. Não é assim."  Essa citação do argentino Fredy Kofman no primeiro volume de sua coleção “Metamanagement, a nova consciência dos negócios”  é uma tradução corporativa do pensamento que nem sempre dois mais dois são quatro. O coletivo, quando fora da matemática, pode significar desde uma grande soma até uma enorme subtração. Depende de como é administrado.

A variação de desempenho é nítida nas equipes dentro das empresas. Quando a organização tem uma linha de gestão pré-definida (sem perder a individualidade de cada gestor, é bom lembrar) voltada para uma visão mais profunda, que vai além da aritmética, o resultado do coletivo pode ser muito maior do que a soma dos sucessos  individuais. Caso contrário, o trabalho em equipe pode se tornar o responsável pelo fracasso de um projeto.

Em primeiro lugar é preciso lembrar que a equipe é uma soma de personalidades, além de uma soma de mãos e cérebros. Quanto menos informação o líder oferecer sobre o propósito daquele trabalho e sobre o papel individual  dos envolvidos, mais liberdade ele vai dar para que cada um encare o projeto da maneira que bem entender e que tudo se tranforme em uma enorme confusão. A definção bem clara desses papéis é o segundo ponto a considerar. Ela restringe a usual “guerra de egos” ou de tentativas liderança ou de sobreposição de ideias vindas de todos os lados como rajadas de metralhadora.

Gênios frustrados são perigosos e costumam cair na tentação do boicote. Por isso, ao mesmo tempo que é  importante deixar sempre a porta aberta para novas ideias – afinal os projetos mudam durante a execução – é de grande relevância tornar claro que nem todas serão aproveitadas e, sem dúvida, dar um retorno individual a cada proposta. Sem limites, a inteligência individual pode atingir distâncias estratosféricas, eliminando qualquer tentativa de foco ou levando um projeto à sua total impossibilidade de execução.

Um dos principais desafios referentes ao dilema de Fredy Kofman é como tranformar essa inteligência individual em uma genialidade coletiva. Talvez seja levá-la para cada etapa do projeto de maneira colaborativa em vez de competitiva. Primeiramente na própria inteligência do projeto, que valorize as etapas como formadoras de uma grande rede: não importa qual seja a sua tarefa,  saiba que sem ela o projeto não sai. Mas sem a dos outros também não, por isso não se considere acima dos colegas. A genialidade coletiva inclui eliminar os grandes gênios dentro de um trabalho coletivo. Certamente alguém concebeu a ideia inicial que se tranformou em uma meta e está sendo realizada pela equipe. Mas é só isso.

A genialidade coletiva implica em que mesmo as etapas operacionais de um trabalho sejam feitas com inteligência. Que seja exigida inteligência também daquele que opera, mesmo que a sua “grande ideia” tenha sido preterida em detrimento de alguma de outro membro da equipe. Inteligência essa que pode até voar,  mas que precisa ter noção dos riscos para o todo se decidir se tornar rebelde. Possivelmente a inteligência individual mais colocada em questão para o êxito do coletivo do projeto seja a de seu organizador. Figura para alguns classificada em segundo plano, como alguém que foi colocado nos bastidores por ocupar um papel menor, mas que mesmo sorrateiramente e sem fazer alarde pode definir para qual dos dois lados irão as inteligências individuais: se para a estupidez coletiva ou para a genialidade em rede.