segunda-feira, 19 de março de 2012

Mudar de emprego sem repensar hábitos e comportamento pode ser perda de tempo

Nos meus tempos da faculdade de Geografia, o termo “fuga geográfica” parecia redundante. Afinal, quando “fugimos”, saímos de algum lugar que nos aprisiona em direção a outro – lugar -  em que teremos liberdade.  Simples assim? Depende.

Quando falamos em vida e carreira, há diversos outros elementos relevantes nessa equação.  Que nunca se sentiu angustiado, “preso”, “massacrado” em um emprego ou a um relacionamento e viu como única solução deixar aquela situação e entrar em outra logo em seguida.

A solução se resumiria apenas na mudança de lugar ou de pessoa. Vem emprego novo, surge um novo relacionamento. Ambos têm “tudo para dar certo”. Tratamos logo de dizer para a família e para os amigos: “agora vai!”, ou então “este é bem melhor”.

Em pouco tempo o novo fica tão ruim quanto o antigo

Passam-se algumas semanas ou até meses e o novo se torna igual ao antigo, ou até um pouco pior.  E pelos mesmos motivos. Esses podem ser sinais da chamada “fuga geográfica”, em que buscamos uma situação nova, mas mantemos os hábitos e o comportamento da situação antiga.  O quanto a mudança apenas de ambiente consegue nos levar de um cenário ruim a outro totalmente positivo? Não há dúvidas de que, em muitos casos, é necessário deixar o antigo para trás, seja emprego ou de relacionamento. A pergunta é: até que ponto essa única atitude é suficiente para solucionar o problema? Se fosse, por que tantas e tantas vezes caímos em uma armadilha igualzinha à anterior?

São dois pontos importantes a considerar. O primeiro deles é: o quanto a ânsia de sair de onde estamos deixa a nossa visão turva aos sinais de que a oferta que estamos recebendo tem diversos pontos negativos em comum com a nossa situação atual? Ou seja, tem tudo para “não dar certo”. O outro é: o quanto, além de mudar de lugar ou de relacionamento, estamos dispostos a rever o nosso comportamento na nova situação? Uma análise realista, sem desculpas.

Os sinais estão ao redor

As pessoas, os locais e as situações, tanto no campo profissional quanto no pessoal, costumam dar sinais do que são e do que nos aguarda. Os ignoramos naquele desejo interno movido pela insatisfação atual. Afinal, queremos, torcemos para que o novo dê certo, e deixamos esses sinais de lado ou os consideramos irrelevantes.

Que tal começarmos focar mais na atenção do que no desejo diante da nova proposta? Vamos ampliar a visão e notar elementos como: falta de coerência entre palavras e atitudes; perder o medo de perguntar; notar quando as respostas são “escorregadias” ou desviadas para outro assunto; perceber se o ambiente – mesmo físico - está de acordo com o que a empresa propaga de si mesma e principalmente: ouvir o que nos é dito e não apenas o que queremos que nos seja dito. Vamos tratar desse tema com mais profundidade futuramente
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Os nossos sinais também são claros

A não ser que você tenha nascido no interior do Sudão em plena guerra ou em alguma situação semelhante, tendo não acreditar vítimas completas. Principalmente quando estamos falando da classe média de uma grande cidade. Se aquele emprego ou relacionamento é tão ruim, qual o seu percentual de responsabilidade?

Se você respondeu nenhuma, sugiro repensar. Quando estamos prestes a entrar em um novo emprego ou situação, além de “renovar as energias e a esperança”, que tal também rever comportamentos? Refletir sobre a situação anterior de maneira racional, com o intuito de analisar o que houve e não de arrumar justificativas.
Recordar as situações ruins vividas e perguntar a si mesmo: por que eu agir daquela maneira? Como eu poderia ter feito de forma diferente naquela hora? Quantas vezes eu agi daquela maneira tentando ter um resultado diferente e não consegui? Mais do que encontrar motivos para esta ou aquela atitude, é importante ao rever a situação, perceber como o outro reagiu a você. Foi a única vem em que houve reação semelhante na minha vida? Se eu fizer diferente será que terei outro resultado?

Já que é hora de mudança externa, que tal incluir nessa nova fase algumas mudanças internas para reduzir o risco de, daqui a algum tempo, a insatisfação voltar pelos mesmos motivos? Mudar é importante, mas antes de simplesmente esquecer, é preciso refletir sobre o passado, para que ele não volte no futuro.