terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A falsa sensação de um clima de harmonia



Esquizofrenia organizacional e rotinas defensivas parecem mais dois daqueles temas dos gurus da moda em gestão. Independentemente da origem dessas expressões, elas traduzem problemas crônicos e silenciosos que podem ser encontrados em boa parte das organizações, e tendem a corroê-las aos poucos.

Por rotinas defensivas, é possível definir aquelas práticas em que o empregado está mais preocupado em “não ter culpa” de nada quando algo dá errado a se preocupar em ajudar a empresa a crescer, oferecendo soluções, propostas e encarando os problemas de frente, inclusive quando necessário assumir sua parte da responsabilidade por eles. Os resultados de alguém acostumado às “rotinas defensivas” são basicamente dois: ele não contribui para os resultados da companhia e pode contaminar o clima organizacional.

Afinal, que equipe consegue trabalhar unida tendo um ou mais de seus membros se comportando sempre como se nada tivessem a ver com o que acontece, como os popularmente chamados “sabonetes”? As razões para esse tipo de atitudes são as mais variadas. Vão do medo de perder o emprego a até raízes mais profundas, possivelmente originárias de situações e de aprendizados na infância e na adolescência.

Quem se encaixa no conceito de “rotinas defensivas” costuma sofrer transtornos físicos e mentais. A aparente apatia fica tão profundamente instaurada nos subconsciente que faz com que o cérebro passe a “travar” com frequência. A pessoa perde sua velocidade para tomar decisões e às vezes até a capacidade de resolver questões é afetada. Esse comportamento pode ter origem no medo, tanto de ficar desempregada quanto de se posicionar. Já quem busca nas “rotinas defensivas” um refúgio para mostrar uma “personalidade linear” constantemente acaba comprometendo seu físico com doenças como gastrite de origem nervosa. Em termos emocionais pode se tornar sujeita a explosões comportamentais fora do ambiente de trabalho, com aqueles que não têm qualquer relação com seu ambiente profissional.

Esquizofrenia organizacional  

A chamada “esquizofrenia organizacional” é menos apática, mas não menos nociva. Quem sofre desse mal no trabalho costuma tentar chamar a atenção se colocando sempre em postura de vítima, nem sempre de maneira tão tímida quanto quem opta pela “rotina defensiva”e atraindo a atenção dos colegas dessa forma. Procura, com isso, justificar seus erros como consequência de “algo ruim” que fizeram para ela ou ainda tenta segurar seu emprego gerando sentimento de pena entre os colegas e a liderança.

Para um “esquizofrênico organizacional” tudo é visto de maneira negativa, como uma ameaça. Um documento com algum trecho dúbio é sempre visto como algo que pode prejudicar a empresa. Uma situação de risco, mesmo que leve, se transforma em uma tragédia. São pessoas que adoram espalhar valores que não têm e se colocar com moral rígida e inflexível, baseada na crítica ao outro. Tende a ser um “grande defensor” da empresa e costuma ter dois tipos de reação opostos quando seu personagem é descoberto ou questionado: coloca-se como uma vítima, ao mesmo tempo ruidosa e com resquícios de muita raiva, ou apropria-se da moral inflexível que tenta impor, e parte para o confronto em busca de denegrir ou desqualificar aquele que ameaça desvendar a sua “farsa” comportamental.

Consequências para as empresas   

As duas posturas citadas fazem muito mal para o profissional, afetando tanto a qualidade do seu trabalho quanto a sua vida pessoal. E as empresas também perdem com esse tipo de postura, mas nem sempre se dão conta. Podem confundir um profissional com “rotinas defensivas” com alguém equilibrado e linear e um “esquizofrênico organizacional” como alguém de grande fidelidade. No longo prazo, esses indivíduos contaminam o clima organizacional e desviam o foco da liderança dos reais problemas da empresa, além de não medirem esforços para esconder falhas. Falhas essas que, quando descobertas, podem já ter causado grandes prejuízos para a organização. Daí a importância de olhar cada funcionário em mais profundidade, prestar atenção nos detalhes antes de achar que está tudo bem.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Estupidez coletiva ou genialidade em rede: os dois caminhos da inteligência pessoal inserida em um projeto


"A inteligência pessoal pode perfeitamente se transformar em estupidez coletiva. Ingenuamente, a pessoa pensa que quando cada elemento do sistema faz o melhor possível, o sistema funciona. Não é assim."  Essa citação do argentino Fredy Kofman no primeiro volume de sua coleção “Metamanagement, a nova consciência dos negócios”  é uma tradução corporativa do pensamento que nem sempre dois mais dois são quatro. O coletivo, quando fora da matemática, pode significar desde uma grande soma até uma enorme subtração. Depende de como é administrado.

A variação de desempenho é nítida nas equipes dentro das empresas. Quando a organização tem uma linha de gestão pré-definida (sem perder a individualidade de cada gestor, é bom lembrar) voltada para uma visão mais profunda, que vai além da aritmética, o resultado do coletivo pode ser muito maior do que a soma dos sucessos  individuais. Caso contrário, o trabalho em equipe pode se tornar o responsável pelo fracasso de um projeto.

Em primeiro lugar é preciso lembrar que a equipe é uma soma de personalidades, além de uma soma de mãos e cérebros. Quanto menos informação o líder oferecer sobre o propósito daquele trabalho e sobre o papel individual  dos envolvidos, mais liberdade ele vai dar para que cada um encare o projeto da maneira que bem entender e que tudo se tranforme em uma enorme confusão. A definção bem clara desses papéis é o segundo ponto a considerar. Ela restringe a usual “guerra de egos” ou de tentativas liderança ou de sobreposição de ideias vindas de todos os lados como rajadas de metralhadora.

Gênios frustrados são perigosos e costumam cair na tentação do boicote. Por isso, ao mesmo tempo que é  importante deixar sempre a porta aberta para novas ideias – afinal os projetos mudam durante a execução – é de grande relevância tornar claro que nem todas serão aproveitadas e, sem dúvida, dar um retorno individual a cada proposta. Sem limites, a inteligência individual pode atingir distâncias estratosféricas, eliminando qualquer tentativa de foco ou levando um projeto à sua total impossibilidade de execução.

Um dos principais desafios referentes ao dilema de Fredy Kofman é como tranformar essa inteligência individual em uma genialidade coletiva. Talvez seja levá-la para cada etapa do projeto de maneira colaborativa em vez de competitiva. Primeiramente na própria inteligência do projeto, que valorize as etapas como formadoras de uma grande rede: não importa qual seja a sua tarefa,  saiba que sem ela o projeto não sai. Mas sem a dos outros também não, por isso não se considere acima dos colegas. A genialidade coletiva inclui eliminar os grandes gênios dentro de um trabalho coletivo. Certamente alguém concebeu a ideia inicial que se tranformou em uma meta e está sendo realizada pela equipe. Mas é só isso.

A genialidade coletiva implica em que mesmo as etapas operacionais de um trabalho sejam feitas com inteligência. Que seja exigida inteligência também daquele que opera, mesmo que a sua “grande ideia” tenha sido preterida em detrimento de alguma de outro membro da equipe. Inteligência essa que pode até voar,  mas que precisa ter noção dos riscos para o todo se decidir se tornar rebelde. Possivelmente a inteligência individual mais colocada em questão para o êxito do coletivo do projeto seja a de seu organizador. Figura para alguns classificada em segundo plano, como alguém que foi colocado nos bastidores por ocupar um papel menor, mas que mesmo sorrateiramente e sem fazer alarde pode definir para qual dos dois lados irão as inteligências individuais: se para a estupidez coletiva ou para a genialidade em rede.

sábado, 7 de julho de 2012

Para se tornar voluntário, aposentado precisa de preparação


O aumento da expectativa de vida e a possibilidade de se chegar à terceira idade cada vez com mais saúde e disposição tem levado aposentados a trocar a antiga rede e os encontros à tarde na pracinha por uma vida cheia de movimento e de novos planos. Alguns, depois de formalmente aposentados, continuam suas atividades profissionais como consultores ou apostam em pequenos negócios. Mas uma terceira possibilidade vem chamando a atenção de quem já não está mais formalmente no mercado de trabalho: o voluntariado.

A opção pelo voluntariado é encontrada principalmente por aqueles que conseguiram se planejar financeiramente para não depender exclusivamente da pensão do governo. Costumam ser profissionais de média ou alta liderança ou os que ao longo da vida definiram bem sua situação financeira independentemente de sua posição ou área profissional. É nessa hora que a vontade de fazer algo pelo próximo - que ficou escondida por anos e anos sob a desculpa do não tenho tempo, trabalho muito - agora pode vir à tona e se tornar realidade.  Ou frustração, principalmente para aqueles que terão seu primeiro contato com o terceiro setor.

Não basta ter vontade de fazer algo pelo próximo. É preciso estar preparado para isso. Atuar em uma ONG ou montar o seu próprio projeto social no bairro depois de anos em contato apenas com o mundo corporativo é bem diferente de tocar um projeto em uma empresa. O foco muda, os meios são outros e as pessoas envolvidas também.

Lançar-se nessa nova experiência sem estar devidamente preparado pode levar o aposentado a não ter sucesso no empreendimento, aumentando os riscos de uma depressão ou frustração com consequências graves. Dar aulas em uma comunidade, atuar com crianças órfãs ou defender a natureza é mais do que uma questão de boa vontade.

Mudança de referencial

É preciso conhecer esse novo universo e a sua dinâmica. Preparar-se psicologicamente e saber rever as suas metas de acordo com a expectativa do outro, daquele que será o alvo do seu projeto. Conhecer novas metodologias e formas de trabalho e conseguir atuar com uma equipe bem mais heterogênea do que em uma empresa.  Enquanto em uma organização os cargos são definidos por formação profissional e competências, sendo que as pessoas podem ser “dispensadas” caso não cumpram seu papel de acordo com suas metas e descrição de cargo, no terceiro setor nem sempre é assim.

Sem dúvida que há organizações que funcionam de maneira semelhante a uma empresa, mas isso não é regra, pelo contrário. O aposentado que vai migrar da corporação para o terceiro setor precisa aprender a conviver com voluntários que podem ter a mesma vontade em disposição em ajudar, mas nem de longe o mesmo preparo técnico ou ritmo de trabalho. Precisa aprender a conviver em ambientes de atuação às vezes hostis em que sua carreira de gerente ou diretor de empresa e seus cursos de MBA têm pouca ou nenhuma força na hora da negociação. Tem de saber ser paciente ao abordar um novo tipo de interlocutor – o beneficiário - que vive em uma realidade diferente, com cultura, hábitos e valores e principalmente ritmo próprios.

Atualmente há cursos e profissionais especializados – quase sempre coaches – em ajudar o aposentado nessa transição para que ela seja feita com sucesso, tanto para a satisfação desse aposentado em seu novo desafio, quanto para otimizar os resultados desse trabalho voluntário junto aos beneficiários do mesmo. Para minimizar o risco de o voluntariado ser um projeto sem sucesso, é necessário primeiramente ter real consciência de que se está entrando em um mundo novo. E para isso, o aposentado precisa tanto estudar quanto contar com o apoio de quem já conhece esse universo e pode lhe servir de guia. 

Humildade e saber recomeçar são os primeiros passos para uma atuação voluntária de sucesso.




quinta-feira, 3 de maio de 2012

Quem falha ao planejar, planeja falhar


Um simples trocadilho que pode levar a consequências desagradáveis. Quando ouvi esta frase pela primeira vez, lembrei imediatamente dos japoneses, cujo modelo de gestão prevê o planejamento como a fase mais longa de qualquer projeto.

Enquanto alguns consideram “burocracia” e preferem o método da “tentativa-erro-lamento”, há sistemas de gestão no Japão, por exemplo, que preveem mais de 70% do cronograma de qualquer projeto dedicados à fase de planejamento. Por que planejar é tão importante em qualquer área da vida?  E por que ainda é uma fase ainda tão negligenciada em culturas como a nossa?

O medo de ter de mexer no sonho


  • Planejar dá trabalho. É preciso pesquisar, analisar, cruzar dados, pensar de maneira sistêmica, levando em conta fatores externos, internos, riscos.
  • Exige raciocínio. Mais do que colocar números em uma planilha, é preciso pensar sobre eles, relacioná-los.
  • Prescinde de conhecimento teórico. Um planejamento eficaz necessita de ferramentas específicas e de metodologia.
  • Requer pesquisa e atualização. Conhecer tendências, ter informações da concorrência e acompanhar pelos jornais o que acontece no mercado e no mundo.
  • Implica em paciência para ver a melhor parte do negócio – que é colocar a mão na massa, começar a trabalhar e ver resultados – ficar para depois.
  • Inibe o que possivelmente dá mais conforto na hora de fazer um balanço ou precisar recomeçar quando algo dá errado: a possibilidade de atribuir 100% da culpa ao outros e se acomodar na posição de vítima.

Quem nunca ouviu lamentos como “eu tentei, mas não tive sorte”. Sorte, a meu ver, é algo relativo. Certamente há fatores externos e imprevistos. Mas é possível contribuir– e muito - com ela para ter resultados positivos. De que maneira? Planejando de maneira adequada.

Ao planejar de maneira séria você consegue entender melhor a dinâmica do universo em que quer entrar. Percebe seu fluxo e suas influências. Planejar lhe ajuda a supor menos e analisar mais. Analisar além os fatores do entorno, as consequências indiretas, se você está ou não preparado e no que precisa rever seus conceitos e conhecimentos.

Passaporte para a ousadia


Um bom planejamento o faz olhar para dentro de si e, em diversos casos, enxergar algo que tentamos esconder de nós mesmos. Talvez seja essa dificuldade em encarar limitações e correr o risco de perceber que pode demorar mais do que queremos ou nosso sonho pode não ser viável deixe o planejamento como algo ainda malvisto.

Planejar nos traz do sonho para a realidade mais rapidamente, mas, também de forma menos abrupta. E permite  ainda mexer no sonho preventivamente, reduzindo a chance de ele se tornar um enorme pesadelo.
Significa organização e não burocracia. Exercita a mente e ajuda a perceber o outro. Por mais contraditório que possa parecer: planejar aumenta a chance de ousar, pois nos dá mais segurança em cada passo. Ao sabermos até onde podem chegar as consequências, ficamos mais seguros para decidir se aguentamos ou não o tranco.

Há diversos cursos de planejamento tanto on line quanto presenciais. Alguns até gratuitos.  E softwares que ajudam a organizar o pensamento. São necessários, pois contemplam diversos elementos que não surgem naturalmente na nossa mente ao querermos colocar uma ideia em prática e que são determinantes em nos guiar para o caminho do sucesso – ou do fracasso. Se parece complexo começa a planejar algo grande, que tal iniciar por um projeto pessoal ou uma atividade cotidiana?  Tenha certeza que, no mínimo, vai ajudá-lo a se tornar mais audacioso.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sustentabilidade da porta para dentro


Proteção ambiental e projetos de Responsabilidade Social vêm se tornando práticas cada vez mais comuns nas empresas. Um número crescente delas já atua dessa forma e tantas outras pretendem atuar. Há corporações até que criam seus próprios institutos ou fundações enquanto outras se associarem a ONGs e consultorias.

Além de contribuir com o entorno ou com alguma causa, projetos ajudam a ganhar prêmios e espaços na mídia. E da porta para dentro, também é assim que funciona? Será que esse entusiasmo - e principalmente essas ações – acontecem internamente na mesma medida? Há empresas que são exemplos de boas práticas nos dois lados da moeda. Pena que um número maior ainda vê esses temas apenas como oportunidades apenas da porta para fora. Para algumas organizações ainda o único pilar da sustentabilidade que importa da porta para dentro é o econômico. O pior é quando essa situação é encontrada nas ONGs e consultorias de RSC e de sustentabilidade.

A fragilidade interna limita o comprometimento

A preocupação em ser aceita pelas comunidades – e com isso não comprometer o seu negócio na região em que atua – leva algumas empresas a investir milhares de reais em projetos sociais ou de proteção ambiental. Nem sempre tais projetos vão ao encontro das necessidades locais, mas geram visibilidade (tema para discussão futura).

A questão que coloco agora é o quanto esse cuidado da porta para fora é semelhante ao cuidado que se tem da porta para dentro? Quem quer o verdadeiro reconhecimento precisa dar exemplo. De que adianta uma organização incentivar, por exemplo, ações de desenvolvimento de pequenos negócios ou de fornecedores se seu sistema interno de gestão estiver à beira do colapso?

Promover programas de portas abertas e transparência quando os funcionários não recebem retorno (ou se recebem são em forma de represália velada) ao questionar as atividades da empresa em que trabalham não faz sentido, mas acontece. Programas de educação para a população local não podem andar junto com corte de verbas para apoio educacional dos funcionários. Preservar a mata do entorno ou a vegetação da praça principal da cidade é importante. Mas gera credibilidade no quesito ambiental quando, nas instalações da empresa, não há pelo menos um programa sério de redução de lixo e de coleta seletiva em todos os departamentos?

Apoio a organizações internacionais que lutam contra trabalho em condições inadequadas ou degradantes beiram à superficialidade quando os funcionários desse patrocinador trabalham constantemente até tarde da noite com suas horas extras não computadas, disfarçadas como “cargos de confiança” ou relações de trabalho “modernas”. Que funcionário dará atenção a campanhas internas de direção defensiva ou trânsito seguro quando a manutenção da frota deixa de ser feita por questões de economia?

A causa não pode ser a justificativa


Infelizmente essa dualidade também acontece em ONGs e algumas consultorias de Responsabilidade Social e Sustentabilidade. Às vezes até mais do que nas empresas, devido aos poucos recursos. Não faz muito tempo, uma amiga veio me contar, entusiasmada, que começaria a trabalhar em uma ONG promotora do desenvolvimento local por meio do empreendedorismo. Eram capacitações e consultorias sobre como abrir e manter um negócio totalmente dentro da lei, com plano de gestão, projetos de desenvolvimento de pessoas e tudo mais que pregam os gurus da administração de empresas e a legislação brasileira. Apesar da empolgação ela estranhou a sua contratação ser informal e sem nenhum benefício.

O escritório não tinha estrutura, a cadeira dava um pouco de dor nas costas e, constantemente, ela e seus colegas precisavam ficar até bem mais tarde sem direito a táxi para ir embora. Apenas às baratas que insistiam em frequentar o local.

Ao reclamar ouvia que era preciso fazer economia em prol da “causa”. Durou pouco. Ela acreditava – e muito – na “causa”, mas seu discurso nos treinamentos já não era mais como antes. Porque lhe faltava o principal: receber em seu ambiente de trabalho o que ela ensinava ser o correto para o desenvolvimento e o sucesso de qualquer empreendimento. Chegou, inclusive, a pensar em pedir emprego em um desses pequenos negócios que ajudou a desenvolver.

Afinal, que credibilidade podem ter empresas ou instituições que não aplicam em seu cotidiano o conteúdo do discurso ou das ações que praticam da porta para fora? O comprometimento tão almejado dos funcionários se transforma em desconfiança, quando não em revolta. E o tiro sai pela culatra.

 Sobre a instituição em que a minha amiga trabalhava? Hoje está às moscas, ou melhor, às baratas.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Quais são os seus papéis na vida?

Assim como em um filme, a nossa vida é recheada de personagens, diversos deles interpretados por nós mesmos em diferentes momentos e situações. Você sabe que papéis exerce na vida? Já parou para pensar neles e na influência que têm?

Diferentemente dos atores, cujo oficio é viver vidas que muitas vezes não tem qualquer relação com a sua personalidade, nós, cidadãos comuns, precisamos interpretar papéis que efetivamente estejam relacionados com os nossos valores e as nossas crenças. Afinal, nossa vida não é uma obra de ficção. Pelo contrário. Nossas posturas e decisões definem e mudam nosso rumo. Ou nos deixam sem movimento.

Atendi um cliente uma vez, cujo objetivo profissional era ser dono de uma empresa, mesmo que pequena. Ao fazermos o mapeamento dos seus papéis, tanto na vida pessoal quanto na profissional, notamos que, com quase 30 anos de carreira, esse profissional ainda se comportava como um executor e não como um gestor, mesmo quando ocupava cargos de alta liderança nas empresas em que trabalhava.

Os riscos de cada personagem

Não falo aqui sobre regras da empresa ou outros fatores externos.  Falo sobre postura. Como alguém, cujo sonho é ser dono de uma empresa pode construir seu caminho se, mesmo quando ocupa cargos de liderança, se comporta como um executor?

Será que, ao chegar lá, esse profissional não corre o risco de novamente fazer o papel de executor diante de seus sócios ou subordinados? Que culpa terão esses sócios ou subordinados se encontrarem essa brecha aberta e se “aproveitarem” dela?

A postura também faz parte do caminho para a conquista do sonho. E isso inclui a vida pessoal.  Outro exemplo é o homem que ocupa única e exclusivamente o papel de provedor em casa. Trabalha, trabalha, trabalha para fornecer o suporte financeiro à família. É possível que, ao exercer esse como seu único papel na família, ele possa querer o mesmo retorno que o pai que se divide entre papel de provedor e o de conselheiro dos filhos? Dá para cobrar um retorno de algo que não se oferece?

A mensagem da postura 

Os papéis que ocupamos falam muito sobre nós e geram boa parte do retorno dos nossos relacionamentos.  Se temos uma meta seja ela qual for, além de juntar recursos financeiros para atingirmos a mesma, precisamos, desde já, começar a ocupar o papel que queremos quando chegarmos lá.

Sem dúvida que um analista ou coordenador que quer se tornar gerente não pode sair por aí dando ordens à equipe. Mas ele precisa demonstrar postura de liderança para ser cogitado para uma promoção e não esperar a promoção para incluir esse papel na sua vida. Parece tão lógico e fácil, mas não é.

Fica aqui o desafio: faça uma lista dos diversos aspectos e ambientes da sua vida pessoal e profissional. Escreva ao lado deles o papel que você ocupa hoje, o retorno que você tem e qual papel gostaria de ocupar.  Se houver diferença entre as duas listas, não será hora de parar para pensar na necessidade de mudar algo?

domingo, 25 de março de 2012

Se você falou e o outro não entendeu, parte da responsabilidade é sua

Atire a primeira pedra quem nunca reclamou: “mas eu falei e fulano não entendeu” colocando no outro a responsabilidade sobre algum problema resultante de um ruído na comunicação. Será que, em uma situação como essa, é possível “culpar” apenas o interlocutor? Com raríssimas exceções, não. Por mais que seja uma habilidade desenvolvida pelo ser humano há milhares de anos, a fala – ou a escrita - não são garantias de transmissão da mensagem ou de comunicação eficaz.

Há diversos elementos a serem levados em conta em um diálogo, seja ele verbal ou escrito. Desconsiderar esses elementos já trouxe problemas e consequências graves para muita gente. Nos treinamentos que ministro em comunicação, faço dois exercícios muito simples – parecem banais até – para ilustrar essa afirmação.

No primeiro deles, coloco a seguinte frase à vista de todos: “Haverá muita gente na festa”. E peço para que seja reescrita por cada um trocando a palavra muita por um número. Por mais que o grupo seja aparentemente homogêneo – executivos de classe média em uma grande capital, por exemplo – os números são sempre díspares. Quando o grupo é heterogêneo então, nem se fale. Depois que os números são expostos, fazemos uma pequena simulação de como essa diferença de interpretação poderia causar confusão na suposta festa. Se a frase fosse dita em uma conversa telefônica entre dois organizadores da hipotética festa na hora de fazer a compra de bebidas, os riscos de ou os convidados passarem sede ou de boa parte do grupo acordar no dia seguinte de “ressaca” seriam grandes.

Nada é óbvio

Em outro momento, peço a todos que escrevam a palavra “óbvio” em uma folha de papel A4, em letras garrafais. Levantamos as folhas e rasgamos todos juntos. Por quê? É um gesto simbólico para eliminar esse conceito do nosso dia a dia. O que é “óbvio” para um pode ser complexo e inimaginável para outro. Então, toda vez que pensar em deixar de explicar algo na hora de dar alguma orientação ou não incluir um item no seu discurso por crer – sem ter se certificado antes - que o outro já sabe, assuma o risco de algo dar errado. “Nem vou falar sobre isso porque é óbvio”. Será que é para todos os envolvidos? É importante lembrar que incluir todas as informações não é sinônimo de ser prolixo. Mas objetividade é um tema que trataremos em um futuro artigo.

Na comunicação escrita esse risco é ainda maior, pois o outro não está próximo para dizer ou demonstrar que não entendeu. A dica é o tradicional conselho da vovó: antes de enviar a mensagem coloque-se alguns segundos no lugar do outro. Quem é esse outro? Que idade tem? Onde mora? Em que trabalha?
É triste notar que esses equívocos básicos são cometidos com regularidade até pelos próprios profissionais de comunicação, que ainda usam seus jargões técnicos ao lidar com clientes ou com outros departamentos, no caso de grandes empresas. Nas empresas o problema vem se agravando também pela variedade de públicos com os quais elas lidam e com as novas possibilidades de diálogo.

Até há um passado não muito distante, as empresas se relacionavam basicamente com clientes, fornecedores e funcionários, sendo que, com esses últimos de maneira hierárquica. Uma linguagem única quase que era suficiente. Hoje o cenário é diferente. As empresas precisam conversar com a comunidade e com diversos outros tipos de público. Atuam nas mídias sociais, onde não há hierarquia. Daí a necessidade crescente de perceber o outro, de conhecer seu universo e mais do que saber quais palavras dizer, saber quais ele conseguirá compreender. No caso das mídias sociais em que o outro pode ser uma incógnita, saber proferir um discurso “geral” é condição básica.

Compreensão gera engajamento

A resistência ainda é grande, principalmente nas áreas mais técnicas, em que ao simplificar o discurso surge uma certa inquietação, como se o trabalho técnico valesse menos. Bobagem. Quando a mensagem é compreendida ela se torna mais relevante para todos os envolvidos. Porque compreensão além de minimizar dúvidas, gera engajamento.

Funcionários que compreendem os processos e os propósitos da empresa se tornam embaixadores da marca. Comunidade que compreende claramente o papel e as atividades da empresa ali inserida a vê como uma parceira do desenvolvimento local e não como uma invasora ou exploradora. E assim por diante. A dica vale também em casa, na família e com os amigos. Experimente. No começo dá um pouco de trabalho, mas vale a pena.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mudar de emprego sem repensar hábitos e comportamento pode ser perda de tempo

Nos meus tempos da faculdade de Geografia, o termo “fuga geográfica” parecia redundante. Afinal, quando “fugimos”, saímos de algum lugar que nos aprisiona em direção a outro – lugar -  em que teremos liberdade.  Simples assim? Depende.

Quando falamos em vida e carreira, há diversos outros elementos relevantes nessa equação.  Que nunca se sentiu angustiado, “preso”, “massacrado” em um emprego ou a um relacionamento e viu como única solução deixar aquela situação e entrar em outra logo em seguida.

A solução se resumiria apenas na mudança de lugar ou de pessoa. Vem emprego novo, surge um novo relacionamento. Ambos têm “tudo para dar certo”. Tratamos logo de dizer para a família e para os amigos: “agora vai!”, ou então “este é bem melhor”.

Em pouco tempo o novo fica tão ruim quanto o antigo

Passam-se algumas semanas ou até meses e o novo se torna igual ao antigo, ou até um pouco pior.  E pelos mesmos motivos. Esses podem ser sinais da chamada “fuga geográfica”, em que buscamos uma situação nova, mas mantemos os hábitos e o comportamento da situação antiga.  O quanto a mudança apenas de ambiente consegue nos levar de um cenário ruim a outro totalmente positivo? Não há dúvidas de que, em muitos casos, é necessário deixar o antigo para trás, seja emprego ou de relacionamento. A pergunta é: até que ponto essa única atitude é suficiente para solucionar o problema? Se fosse, por que tantas e tantas vezes caímos em uma armadilha igualzinha à anterior?

São dois pontos importantes a considerar. O primeiro deles é: o quanto a ânsia de sair de onde estamos deixa a nossa visão turva aos sinais de que a oferta que estamos recebendo tem diversos pontos negativos em comum com a nossa situação atual? Ou seja, tem tudo para “não dar certo”. O outro é: o quanto, além de mudar de lugar ou de relacionamento, estamos dispostos a rever o nosso comportamento na nova situação? Uma análise realista, sem desculpas.

Os sinais estão ao redor

As pessoas, os locais e as situações, tanto no campo profissional quanto no pessoal, costumam dar sinais do que são e do que nos aguarda. Os ignoramos naquele desejo interno movido pela insatisfação atual. Afinal, queremos, torcemos para que o novo dê certo, e deixamos esses sinais de lado ou os consideramos irrelevantes.

Que tal começarmos focar mais na atenção do que no desejo diante da nova proposta? Vamos ampliar a visão e notar elementos como: falta de coerência entre palavras e atitudes; perder o medo de perguntar; notar quando as respostas são “escorregadias” ou desviadas para outro assunto; perceber se o ambiente – mesmo físico - está de acordo com o que a empresa propaga de si mesma e principalmente: ouvir o que nos é dito e não apenas o que queremos que nos seja dito. Vamos tratar desse tema com mais profundidade futuramente
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Os nossos sinais também são claros

A não ser que você tenha nascido no interior do Sudão em plena guerra ou em alguma situação semelhante, tendo não acreditar vítimas completas. Principalmente quando estamos falando da classe média de uma grande cidade. Se aquele emprego ou relacionamento é tão ruim, qual o seu percentual de responsabilidade?

Se você respondeu nenhuma, sugiro repensar. Quando estamos prestes a entrar em um novo emprego ou situação, além de “renovar as energias e a esperança”, que tal também rever comportamentos? Refletir sobre a situação anterior de maneira racional, com o intuito de analisar o que houve e não de arrumar justificativas.
Recordar as situações ruins vividas e perguntar a si mesmo: por que eu agir daquela maneira? Como eu poderia ter feito de forma diferente naquela hora? Quantas vezes eu agi daquela maneira tentando ter um resultado diferente e não consegui? Mais do que encontrar motivos para esta ou aquela atitude, é importante ao rever a situação, perceber como o outro reagiu a você. Foi a única vem em que houve reação semelhante na minha vida? Se eu fizer diferente será que terei outro resultado?

Já que é hora de mudança externa, que tal incluir nessa nova fase algumas mudanças internas para reduzir o risco de, daqui a algum tempo, a insatisfação voltar pelos mesmos motivos? Mudar é importante, mas antes de simplesmente esquecer, é preciso refletir sobre o passado, para que ele não volte no futuro.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Coaching, Comunicação e Sustentabilidade

Em um primeiro momento, esses três temas podem não parecer correlatos, mas estão intrinsecamente ligados, e dependem um do outro muito mais do que se imagina. Por isso, conectar essas três áreas não resulta em um leque amplo demais, pelo contrário. Desde que todas sejam tratadas com a profundidade e com o embasamento teórico e prático requeridos.

Sustentabilidade - necessidade de visão sistêmica

A começar pela sustentabilidade, termo tão em moda, mas que poucos utilizam levando em conta seu verdadeiro significado. Constantemente associada apenas à questão ambiental, a sustentabilidade é bem mais do que proteger florestas e os seres em que nelas vivem. É a manifestação prática do termo “visão sistêmica”, em cada atitude cotidiana. Termo esse tão propagado por Peter Senge, um dos principais teóricos da gestão empresarial do fim do século 20 e início deste.

É conseguir abrir e refinar a mente para que se consiga enxergar em uma mesma situação quais os aspectos sociais, ambientais e econômicos nela presentes, mesmo que em um simples ato. Projeto social que não respeita o ambiente e não tem viabilidade econômica não se sustenta. Defesa ambiental que não leva em conta as pessoas e a economia não se preserva.  Desenvolvimento econômico que negligencia as questões ambientais e sociais não vai muito longe, pelo menos de maneira eficaz. É importante lembrar que crescimento e desenvolvimento econômico não são sinônimos. O primeiro se baseia apenas em equações numéricas e costuma apresentar fragilidades; já o segundo tem bases amplas e sólidas e tende a oscilações bem menos abruptas, quando acontecem.

Comunicação – é possível aprender e ensinar

Entender e aplicar os princípios da sustentabilidade são fundamentais, mas não bastam. É preciso tornar perceptíveis as ações e o conceito em que elas foram baseadas. Daí a necessidade de saber comunicar bem. Comunicar bem – tudo o que se faz independentemente do tema ou do contexto - é mais do que passar a mensagem. É ter a certeza da compreensão do outro. É se privar do julgamento pífio de “eu falei, ele é que não entendeu, então não tenho culpa.” Se o outro não entendeu, tenha certeza, que você comunicou de forma errada e é responsável por isso. 

Para levar a mensagem de forma eficaz e tornar a comunicação uma via de mão dupla, em qualquer situação e sobre qualquer assunto, são necessários, basicamente, dois elementos. O primeiro deles é conseguir enxergar outro. Sair de dentro do seu mundo, dos seus conceitos e preconceitos; abolir a palavra “óbvio” de seus pensamentos (o que para você é óbvio para o outro pode ser complexo ou até desconhecido) e entrar no outro de maneira que ele compreenda, e a partir dos referenciais e da linguagem do receptor.  Mais do que dom, para se comunicar bem é necessário técnica (o segundo elemento). A boa notícia é que técnicas de comunicação podem ser aprendidas e ensinadas. Desde que haja disposição em pensar de maneira sistêmica e se tenha como objetivo a compreensão do interlocutor, e não apenas a sua necessidade de dizer algo.

Coaching - definir uma meta e chegar lá

Nem sempre é fácil chegar lá de maneira sustentável e clara para os envolvidos. Muitas vezes é difícil enxergar todos os caminhos, limitações e possíveis resultados quando se está envolvido em um problema ou situação. Daí a necessidade de um processo de coaching. E isso para qualquer desafio, não só os de sustentabilidade. Diferentemente de uma consultoria tradicional, o processo de coaching não tem fórmula ou receita. Usa ferramentas embasadas em metodologias científicas para sair do estágio onde se está e chegar aonde se quer. O processo pode ir pelos caminhos mais diversos, dos mais tradicionais aos mais inovadores. 

É um trabalho individual feito de maneira diferente para cada coachee (aquele que contrata o serviço de coaching), pois leva em conta, além dos seus objetivos, sua personalidade, seus valores e suas crenças. É construído em conjunto com o coach (aquele que é contratado para prestar o serviço de coaching), sempre embasado na visão sistêmica das situações e na boa comunicação com todos os públicos. Coaching não precisa, necessariamente, estar ligado à carreira. Pode ser voltado para algum aspecto pessoal ou até aplicado em equipes ou departamentos que queiram superar obstáculos ou alcançar metas.

Enfim são três áreas que se relacionam com intimidade e nas quais o meu trabalho profissional pode lhe ajudar. Semanalmente vamos falar sobre esses três assuntos neste blog. Juntos ou alternadamente. Caso queira me contatar para um trabalho pessoal ou em sua empresa em qualquer uma dessas três áreas, envie uma mensagem para karengim@gmail.com ou telefone para (11) 9114-2681.